Archive for the ‘T.C.P.C.E.P.’ Category

Curanderismo e fé na ciência

Thursday, August 26th, 2010

(isso originalmente foi um e-mail enviado à minha família mas, na falta de assunto melhor para por aqui e, dado que tem mais gente sabendo disso que apenas minha família, creio que seja oportuno para um post.)

Recapitulando

Primeiro é bom dizer que já fazem uns 8 ou 9 meses que eu reclamo de dores na perna esquerda (região da bunda/coxa) e no pé.

É bom dizer que fiz 20 sessões de fisioterapia para ambos no início do ano apenas para ficar frustrado com a perda de tempo. Não deve-se ainda esquecer que eu corri um Volta da Pampulha no final do ano passado, que estava treinando para a maratona que corri em maio e que agora em julho corri uma meia maratona no Rio e outra meia agora em agosto. Ou seja: eu não estava exatamente pegando leve nesses meses, mas a dor não aumentou nem me impediu de fazer nada.

Durante esse tempo as dores no pé iam e voltavam, idem a da perna.  Ambas não me incomodam para correr de maneira quase nenhuma mas me incomodam no dia-a-dia: o pé às vezes dói ao andar e a perna quando fico sentado muito tempo, principalmente na cadeira do escritório aqui de casa. O pé às vezes dá aquela “pontada” de agulha. Na perna, por outro lado, a dor não é angustiante, mas sim um incômodo que persiste enquanto eu ficar sentado — que é o que eu faço na maior parte do dia.

O primeiro médico que ao qual fui, logo no início do ano, disse que eu estava com fasceíte plantar. O que é isso? Uma dor numa espécie de ligamento que existe no pé e que percorre toda a extensão dele. Para uma explicação mais correta e detalhada recomendo um artigo sobre o assunto na wikipedia em português e a sua versão na wikipedia em inglês, que possui mais referências.

Terapia por ondas de choque

Fui para um ortopedista com especialidade em pé sexta passada apresentar o resultado da ressonância magnética que fiz sob pedido dele. Esse médico me foi indicado por outro que, por sua vez, me foi muito bem recomendado por várias pessoas do meu grupo de corrida. A fisioterapeuta que me atende também gosta muito do trabalho dele.

Ao olhar a minha ressonância ele disse que eu tinha fasceíte plantar, que é uma doença comum em corredores. Confesso que a essa altura já achava que não, que eu não tinha fasceíte mas sim outra coisa. Enfim, esse diagnóstico também foi feito olhando um raio-x do meu pé, que por sua vez servia para descartar a possibilidade de uma fratura por estresse.  Diagnóstico feito, ele enumerou os tratamentos recomendados e, dentre estes, me indicou fazer terapia por ondas de choque — e é aí onde os problemas começam.

Primeiro porque não é uma “terapia” no sentido que são várias sessões.  Está mais para um “procedimento”. Digo isso porque espera-se que seja apenas uma aplicação. E ela leva anestesia e requer que eu passe umas 24 horas após o procedimento em repouso absoluto,  ”só saindo da cama para ir ao banheiro”. Perfeito, né? Segundo o médico, a chance de sucesso desse procedimento é de 70%. Eu teria ainda que ficar sem correr antes de fazer o tratamento e, após feito, por mais um mês, quando então eu marcaria uma consulta de retorno para ver se “deu certo”.  Caso não dê, segundo disse a atendente do hospital que faz esse tratamento, teria de pagar mais 20% para uma  ”re-aplicação”.

Por outro lado, segundo meu plano de saúde, esse procedimento não está na lista de procedimentos “reconhecidos” ou “cadastrados” pelo mesmo.  Talvez eu possa fazê-lo e ser reembolsado. Talvez não.   O fato é eles ficaram de me dar uma posição sobre isso. Espero que eles possam cobrir os custos porque, a R$ 1000 (mil) a aplicação, não é exatamente algo que eu acho que dê para fazer sem ajuda do plano. Pelo menos não sem ter certeza de que essa é a solução e que esse é realmente o procedimento necessário.

Alongamento

Bom, eu senti confiança (item escasso ultimamente) no médico que me prescreveu esse tratamento mas, dado o custo dele e tudo que ele envolvia, resolvi acatar os conselhos de amigos de pegar uma segunda opinião. Num aniversário sábado passado conheci um amigo de uma amiga minha que é fisioterapeuta e que tinha um amigo médico ortopedista com especialidade em pés.  Conveniente, não? Bom, como ele também não poupou elogios ao amigo, fui lá. Pior do que está não fica, certo?

Nesse meio tempo a dor do pé sumiu mas, como também não estou correndo como corria antes, isso era de certa forma esperado.

Bom, chego lá e existe não um mas dois médicos na sala. O cara olha meu pé, vê que o meu pé não estava doendo, vê a ressonância e diz que sim, que é fasceíte mas que não, que não precisa fazer esse tratamento — e agora é que a coisa fica realmente interessante.

Não preciso fazer esse tratamento porquê ele não presta. Porque em 7 anos em que ele trabalha com ortopedia só viu um caso de precisar de operação. E não, não era tratamento por onda de choque ao que ele se referia. Além disso, como parte do tratamento por terapia por ondas de choque, eu teria de passar um mês sem correr. Ora, mas se você passar um mês sem correr você não vai melhorar de qualquer forma não? Sendo assim, como você pode afirmar que foi o tratamento de R$ 1000 que lhe resolveu o problema ou foi parar de correr? O outro médico, só completava aquilo que o primeiro dizia de vez em quando.

Ele ainda disse que os trabalhos científicos que sugerem o uso desse tratamento possuem uma qualidade 4 ou 5. Pelo que eu saquei, isso quer dizer que eles estão no fundo de uma escala de qualidade e que, no caso particular deles, quer dizer que eles foram feito sem ter um embasamento estatístico correto — não foi usado um grupo aleatório, não houve separação de grupos com quadros similares usando tratamentos distintos, grupo usando placebo etc. A entrada na Wikipedia em inglês para Plantar Fasciitis diz que os estudos (links para esses são providos lá) não são conclusivos sobre a eficácia dessa técnica.

O remédio prescrito? Alongar, 3x por dia a batata da perna. Sim. A perna. A idéia é que o encurtamento da musculatura da perna acaba sobrecarregando o resto da musculatura do pé e isso acaba causando um impacto na fáscia plantar. Ah! E usar uma palmilha para o calcanhar. E retornar em um mês para lhe dizer como as coisas estão. E sim, parar por uma semana. Como eu não estou em treinamento para nenhuma corrida de longa distância, esse é o melhor período para dar uma pausa sem prejuízos ao treino e para dar uma folga tanto para a perna como para o pé.

Assim como o outro havia dito quando lhe indaguei, fazer spining e nadar nesse período, em substituição à corrida, seria o ideal.

Finalmente, ele me deu um concelho: NUNCA, JAMAIS, faça infiltração.  Se quiseram fazer isso, FUJA! Dói horrores na hora, depois parece que fica uma maravilha mas a chance disso acarretar um problema MUITO mais sério (rompimento na fáscia, etc) é enorme.

Terceira opinião

Ainda existe mais um cara a quem eu queria pedir informações e de quem queria recolher opiniões. Ele é um fisioterapeuta amigo de um amigo próximo que, novamente, é muito bem cotado pela qualidade do seu trabalho. Como ele trabalha numa clínica que é especializada nisso (medicina esportiva) imaginei que ele poderia conhecer alguém bom para me recomendar.

Ah! A angústia…

Olha, não sei o que pensar mais.

Por mais que esse último tenha dado mais informações, ligado pontos que eu achava que tinham de ser ligados (a perna e o problema no pé apareceram mais ou menos juntos de qualquer forma), achei muito mágico “só alongar”. Mas faz sentido. De qualquer forma, terei de esperar o plano se pronunciar sobre se eles pagam ou não esse tratamento por ondas de choque. É o tempo de conseguir a terceira opinião.

Chato é a sensação de impotência diante disso. De não saber o que pensar, o que fazer. De ter de ficar pescando pedaços de informação de cada um para pode compor um quadro incompleto. De achar que você está mudando de um “pajé” para outro. De ficar pescando informações na internet e acabar somatizando coisa que você lê, de se auto-sugestionar. Foda é achar que medicina é pseudo-ciência, que o curanderismo e o “assim me parece melhor” são o que me resta. Tenho medo quando começar a desenvolver coisas realmente sérias. Terei de pedir resumés e ver o perfis no Portal da CAPES antes de ir a um médico?

Nesse meio tempo um colega de UFMG muito chapa me mandou o seguinte artigo do NYT que, curiosamente, apóia a linha apontada pelo último médico: Unhappy feet. Um outro artigo só para engroçar o coro: Stretching your body’s fascia can improve exercise results.

Bom, hora do ateu aqui ter fé na ciência. É o que me resta. Só preciso escolher qual profeta escutar.

Reparo no Time Machine

Friday, October 2nd, 2009

Então, como eu falei antes, enviei o meu Macbook para o reparo, onde trocaram a placa lógica dele. Depois disso o Time Machine parou de reconhecer o disco de backup antigo que eu usava. Na verdade, ele passa a ignorar todos os backups anteriores e resolve criar um backup novo, do zero. Desnecessário dizer que isso tira metade da graça em usar o Time Machine (backups temporais), sem comentar os desperdício em espaço em disco — vou praticamente ter duas cópias dos mesmos dados do disco de backup.

E aí, Bial, como fazer para resolver isso?

Existem bons guias em inglês dizendo como resolver; coloquei links para eles ao final desse post. Mas, para aqueles que têm algum problema com o inglês, vamos ao passo-a-passo de como resolver isso na velha língua de Camões. Como alguns comandos requerem o uso da linha de comando, vou assumir certa familiaridade com a mesma.

Entendendo o Problema

Antes de mais nada, uma rápida explicação. O Time Machine usa um identificador que fica atrelado à sua placa de rede (o seu “endereço MAC“) para reconhecer o backup de um micro. Isso permite inclusive que um mesmo disco de backup seja compartilhado por vários micros: cada um terá seu backup identificado unicamente pelo endereço MAC do seu respectivo micro.

Todavia, se a placa lógica de um micro muda, o endereço MAC dela também muda. Por isso, quando o Time Machine for procurar por backups anteriores do seu micro, ele procurará backups associados ao identificar atual do micro — ou seja, ao seu novo endereço MAC. E é por isso que ele não encontrará seus backups anteriores: todos os seus backups ainda estão atrelados ao antigo identificador do seu micro e não ao novo. Para corrigir esse problema temos que “informar” o Time Machine sobre essa mudança de identificador. Na prática, apenas atualizaremos o endereço MAC nos backups antigos com o novo endereço MAC. Assim, o Time Machine identificará seus backups anteriores como backups do micro atual e nada do seu histórico será perdido.

Coletando algumas informações

Antes de prosseguir, você terá de cololetar algumas informações

  • Mount-point do Time Machine
    Provavelmente será dentro do /Volumes, alguma coisa como '/Volumes/Time Machine' ou, no meu caso, '/Volumes/Backups do Time Machine/'.
  • Diretório onde o Time Machine guarda os backups antigos do seu micro
    Dentro do volume/mount-point do Time Machine haverá uma pasta chamada Backups.backupdb e, dentro dessa pasta, haverá uma (provavelmente) com o nome do seu micro. Essa é a pasta que contém os seus backups antigos. No meu caso, o path completo para ele era /Volumes/Backups do Time Machine/Backups.backupdb/notebook
  • O antigo endereço MAC do seu micro
    Sim! Você vai precisar dessa informação. Se você não tinha anotado o seu antigo endereço MAC em algum lugar o que lhe resta é extrair essa informação direto do Time Machine. O comando abaixo deve resolver esse problema. Adapte as nomes dos diretórios de acordo com as suas configurações

    $ cd /Volumes/Backups\ do\ Time\ Machine/Backups.backupdb/
    $ xattr -p com.apple.backupd.BackupMachineAddress notebook

    A saída desse comando deve ser algo como 00:1e:c2:1e:1e:ca. Esse é o valor do seu antigo endereço MAC.
  • O novo endereço MAC do seu micro
    O comando abaixo deve dar conta de lhe fornecer essa informação

    $ LC_ALL=C ifconfig en0 | awk '/ether/{print $2}'

    O resultado deve ser um identificador como 00:22:41:22:16:f3. Esse é o endereço MAC atual do seu micro.

Passo-a-Passo

De posse de todas as informações necessárias, vamos agora ao passo-a-passo para resolver esse problema.

  1. Se o disco de backup estiver conectado, desconecte-o.
  2. Em seguida, desligue o Time Machine. Você não vai querer ele interagindo com você enquanto os ajustes são feitos. Vá lá no “Preferências do Sistema”, vá na área do Time Machine e desligue-o.
  3. Reconecte seu disco de backup.
  4. Desabilite temporariamente as ACLs no volume da Time Machine. Não precisa ficar com cara de Amélia se você não entendeu. Apenas digite os comandos abaixo:

    $ sudo fsaclctl -p '/Volumes/Backups do Time Machine/' -d
  5. Dentro do raiz do volume do Time Machine existe um arquivo invisível cujo nome corresponde ao identificador MAC antigo do seu micro precedido por ponto e sem os “:”, ou seja “.001ec21e1eca“. Esse arquivo terá de ser renomeado para refletir o valor do novo MAC. Aplique o mesmo processo ao novo MAC e você terá o novo nome para esse arquivo.

    $ cd /Volumes/Backups do Time Machine/
    $ mv .001ec21e1eca .0022412216f3
  6. O diretório com seus backups antigos possui um atributo extendido com o valor do MAC antigo. Atualize-o com o valor do MAC novo.

    $ cd /Volumes/Backups do Time Machine/
    $ sudo xattr -w com.apple.backupd.BackupMachineAddress 00:22:41:22:16:f3 Backups.backupdb/notebook
  7. Reabilite as ACLs no volume da Time Machine.

    $ sudo fsaclctl -p '/Volumes/Backups do Time Machine/' -e
  8. Desconecte/Ejete o seu disco de backup
  9. Re-habilite o Time Machine
  10. Reconecte o seu disco de backup

E é isso. Após tudo isso o Time Machine deverá iniciar um outro processo de backup — e esse deve demorar um pouco mais já que provavelmente seu micro estava há um bom tempo sem fazer backup.

Referências

Reparo no Macbook Pro

Monday, September 28th, 2009

Meu Macbook Pro estava com um problema estranho: desligava espontaneamente quando passava um tempo apenas na bateria, mesmo essa tendo carga. Bastava um “while true; do echo 1 > /dev/null; done” rodando em dois terminais para, em questão de minutos, o mac apagar. Mas apagar mesmo, de não voltar até que fosse ligado no cabo de força. E repetindo: a bateria ainda tinha (muita) carga.

Depois de muito adiar levei ele na assistência para ver se resolvia o problema. Antes de mais nada, tenho que dizer três coisas:

  1. Primeiro, Deus salve o momento em que fiz meu plano AppleCare — valeu cada centavo!
  2. Pela primeira vez na vida não me senti enganado por uma assistência técnica. Gostei muito do serviço lá da TecMania, aqui em Belo Horizonte mesmo. Recomendo mesmo. :-)
  3. Finalmente, PQP!, Time Machine!

O que ocorreu foi que depois de descartarem que o problema fosse a bateria, que parecia estar normal nos testes, resolveram trocar a placa lógica (logic board) do coitado. Trocaram e o problema persistiu. Pegaram uma bateria zerada que havia chegado a pouco por lá e tentaram reproduzir o problema. Como não conseguiram, deduziram que foi a bateria, e que a minha estava claramente defeituosa. Menos mal, fiquei com uma bateria nova e uma placa lógica nova sem pagar nada. Digo, tudo pago pelo AppleCare.

Tudo foi bem rápido. Mais rápido do que o esperava e quase tão rápido quanto eu gostaria. Todavia, depois de ter a placa lógica trocada, o MBP se comportou um pouco estranho:

  • O iTunes disse que não podia mais tocar as músicas da minha coleção porque não tinha permissão.
  • O Time Machine não reconhecia os backups antigos que eu tinha.
  • O VMWare Fusion passou a perguntar se eu tinha movido ou copiado minhas máquinas virtuais.

O que ocorreu foi que com a mudança da placa lógica, muitos programas acharam que eu tinha mudado de micro, o que não foi de fato o que ocorreu. No caso do iTunes foi só autorizar esse “novo” computador. O VMWare funcionou sem problemas depois que eu disse que “copiei” as máquinas virtuais. Com o Time Machine não foi bem assim…

C++ blues

Thursday, May 31st, 2007

C++ é uma linguagem fantástica, até a hora em que ela começa a lhe mostrar seus espinhos. Infelizmente, isso acontece com muita freqüência, o que torna programar nessa linguágem um trabalho de corno. E não são coisas complicadas (criar em tempo de execução classes usando apenas uma string com seu nome), mas as coisas simples as que mais irritam:

  • Você deve explicitamente chamar os construtores das classes pai.

    Isso é obvio mas… por quê? Se eu não estou acrescentando nenhum atributo à classe e quero preservar na classe derivada as mesmas assinaturas dos construtores da classe-pai para que re-escrever tudo? Talvez eu tenha passado tempo demais em python, onde todos os métodos (incluindo construtores) são virtuais.

  • Não se deve chamar métodos virtuais em construtores

    Novamente, depois que você adestrou seu cérebro para pensar na lógica de C++, isso também deveria parecer óbvio. Mas não parece. Isso é tão verdade que o Scott Myers tem uma entrada especificamente para isso no seu Effective C++, 3ª edição.

Fragmentos de um relacionamento

Saturday, May 26th, 2007

Após um relato de uma semana de trabalho…

— Ti, cuidado para não estafar!
— Ju, eu não tenho tempo para isso.

Hot Hot Heat – Talk to me, dance with me

Fim da BrasNet

Tuesday, May 22nd, 2007

Quando comentaram comigo “A BrasNet fechou” eu pensei, “Bom, estava demorando para o inevitável acontecer”. Quase todo mundo usa MSN e Google Talk hoje em dia. Dentre as pessoas mais novas, quase nenhuma sequer conhece o IRC. Eu faço doutorado em computação e mesmo assim poucos dos meus colegas de laboratório (muitos deles da minha idade, diga-se de passagem) nem mais sabem o que é isso. E mesmo entre os que sabem, alguns não farão idéia do que eu estou falando a menos que eu chame IRC de “mirc“.

O fato é que, ao ler o relato do mantenedor da Brasnet sobre seu fechameto, me bateu uma grande nostalgia.

Eu também usei gopher, usei o Veronica, quando na época não existia mais nada similar. Adorava fazer consultas sobre células de combustível. Ainda me lembro do meu meu primeiro contato com o IRC, que também foi pela jacaré BBS, através de um terminal ligado à RNP no CEFET-CE, em meados de 1995. No dia, a conversa que rolava no #brasil era sobre a arte de enrolar um baseado — na época, eu mal tinha 14 anos. Eu estava lá quando os canais de estados brasileiros começaram a pipocar na EFNET, estava lá quando do surgimento da BrasNET e da BrasIRC. Conheci muitos amigos meus por lá e muitos dos que hoje são meus amigos são conhecidos de amigos meus do IRC.

Uma lástima a BrasNet fechar. Como diria Regina, com ela vão memórias de “um tempo que não volta nunca mais”.

Silêncio

Sunday, April 22nd, 2007

Nada como um cross-post (original) para animar as coisas:

O do Véi já é notório, mas alguém mais está sabendo que o Noise3D está programado para fechar as portas em julho? Foi o que me disseram…

Aparentemente o problema é o de sempre: ao invés de pagar a entrada, as pessoas preferem economizar R$ 5,00 e ficar do lado de fora curtindo a música; ao invés de consumir dentro da casa, as pessoas preferem economizar R$ 0,25 ou menos e beber fora do estabelecimento. Nada contra o quem prefere economizar o fruto do seu suor, mas que se faça de maneira responsável. O que mais me entristece é que esses que mendigam pela entrada serão os mesmos que depois reclamarão que um dos melhores e mais descolados cantos de Fortaleza fechou. E se lamentarão, dirão que realmente era barato e se exonerarão da culpa que lhes é cabida. Uma pena, mas essa é a mentalidade de nossa amada cidade: provinciana. Reclamam que Fortaleza não é São Paulo mas se comportam como se estivessem indo a uma quermesse numa província de Juazeiro do Norte.

Não me entendam mal, eu amo nossa cidade. E como todo amor, ele é um pouco cego aos seus defeitos. Sei quais eles são, tenho pleno conhecimento deles, mas prefiro fingir não vê-los. O que não me impede de lamentar por eles. Até mesmo porque, depois que o nosso inferninho tiver fechado, o que restará em Fortaleza para preencher vácuo que ele criará? Amicis? Duvido: a despeito da interseção significativa dos dois públicos, as propostas das casas são bem diferentes. A Órbita, com suas pretensões de grande casa descolada e proposta de que fila grande é sinal prestígio da casa? Não, muito obrigado, prefiro sinceramente ir para o Mucuripe, pagar 25 reais só para sorrir mas saber que estou pagando por uma estrutura até mesmo barata para 25 reais, e não por um serviço de terceira categoria numa casa de segunda. Só sobra, a meu ver, o Fafi.

Aliás, aquela rua toda da Fafi tem um potencial não explorado enorme, mas não acho que alguém mais veja isso. Mesmo quem vê deve duvidar da viabilidade de tentar algo do gênero fora do circuito Dragão do Mar — até porque conseguir montar um modelo de negócio rentável no ramo de entretenimento no circuito alternativo em Fortaleza é algo que beira o impossível, que o diga o Noise.

Infelizmente é muito cômodo para mim falar disso em estando em BH. Mas quando estiver em julho em Fortaleza farei minha parte para aproveitar responsavelmente os últimos suspiros do Noise. Até lá, em sinal de protesto, que se faça barulho.

O que é isso? É um caranguejo estilizado?

Wednesday, June 7th, 2006

Não, não é, mas muito obrigado por perguntar :-)

***

A propósito, aquele meu patch já foi acrescentado ao Moin , na versão 1.5.3.

***

Ah! Pois é, rolou um tempo atrás outra edição do Bordel da Raquel, uma festa semestral da Comunicação Social da UFMG. Sobre ela.. bom… tudo que há para ser dito é que ir de chinelos havaianos para uma festa dessas não é uma boa idéia.

Não é de verdade não, né?

Monday, May 8th, 2006

Não, é não, é transfix!

Gambiarra Sound System

Wednesday, April 5th, 2006

Há mais de 3 semanas que eu sou um feliz proprietário de um Gambiarra Sound System.

A idéia já era antiga: usar como aparelho de som do carro um MP3 player, ipod ou discman e ligá-lo direto num módulo amplificador. Seria mais econômico do que comprar outro som bom para o carro — que seria inevitavelmente roubado. Também acabaria sendo melhor do que comprar (ou continuar usando) um toca-fitas vagabundo com sintonia manual para rádio.

O problema é que em toda auto-elétrica que eu ia sempre me faziam uma cara feia quando eu comentava sobre essa idéia. Sempre. Até o dia que eu achei o link do Gambiarra Sound System. Nessa página o cara descreve exatamente aquilo que eu queria fazer, dava os macetes, detalhes, tudo! Por sorte eu até já tinha um módulo praticamente igual ao do cara. O mais trabalhoso foi ir no centro da cidade e comprar os cabos necessários (R$ 14). A instalação propriamente dita foi feita numa auto-elétrica (R$ 30). Por sorte o cara que instalou já sabia mais ou menos do que se tratava e até a ligação dos cabos e do resto foi tranquila. Por garantia, levei meu MP3 player com dois arquivos de testes (um harmônico qualquer apenas no canal direito e outro apenas no canal esquerdo) tanto para garantir que os canais ficariam instalados corretamente como para ver o volume.

Foto das ligações entre os cabos e o módulo

A minha configuração ficou um pouco diferente da do cara: ao invés de um plug P2 “Y” e dois cabos P2-RCA eu usei um cabo P2-RCA e dois cabos “Y” RCA fêmea-2 RCA machos, como dá para ver pela foto acima. Outras fotos da instalação podem ser vistas no Flickr. Usei o mesmo esquema de ligar o “remote” do módulo no “pós-chave” — mais prático do que instalar um interruptor.

O fato é que já e sensação. ;-) Funciona perfeitamente tanto com o ipod como com o player da sandisk. Controlo o volume pelo player que estiver usando e, quando saio do carro, levo-o escondido sem maiores problemas no bolso. O módulo mesmo fica bem escondido no carro. Perfeito. Pelo que eu vi varias outras pessoas já viram essa página e também tiveram bons resultados. Até aperfeiçoaram a idéia. :-P

Updated @ 2007-12-11: Adicionei um link para os dois arquivos mp3 de teste de canal.

Updated @ 2009-02-02: O primeiro link foi movido para http://www.gebh.net/oprimo/2007/06/gambiarra-sound-system

Brigando contra a maré

Monday, March 27th, 2006

Não. Eu não recebi a alcunha de burocrata dos meus amigos à toa. Longe disso. No decorrer desse quase um quarto de século de vida passei muito tempo cultivando excentricidades e manias incômodas e chatas. Entretanto, isso faz com que algumas pessoas confundam certas atitudes minhas por um simples desejo por complicar coisas, pela simples vontade de ser chato. Eu até reconheço que, várias vezes, algumas das coisas que eu faço não passam disso mesmo: pura vontade de complicar. Outra vezes o que eu quero é o extremo oposto: descomplicar a minha vida.

Não, isso não é o lamento de um burocrata egoísta, mas de um cara pragmático. É simplesmente frustrante contabilizar o tempo que se perde por causa da falta de vontade alheia em aprender a usar a ferramenta certa para um dado trabalho. Isso é ainda mais incômodo quando ocorre em um ambiente acadêmico, onde as pessoas deveriam estar ávidas por aprender.

Mas não, parece que é o que ocorre é o extremo oposto. Trabalho num laboratório onde mais da metade das pessoas não usaria por vontade própria nenhuma ferramenta de controle de versão. Mesmo quando usam mostram-se incapazes de ler seus manuais. Aliás, leitura de manuais aqui parece uma arte antiga e pouco cultivada por essas bandas. Adianto até que o outrora simples, seco e eficiente RTFM perdeu toda sua graça por aqui: virou tabu, não é politicamente correto…

Vamos precisar elaborar um documento de forma colaborativa e concorrentemente? Ótimo, mas não vamos usar CVS nem subversion, porquê eles são complicados demais. Existe um trabalho de equipe para se fazer em C? Façamos assim: você trabalha dai e eu daqui e depois a gente se reúne para juntar tudo e ver se no final o Frankstein compila e funciona corretamente. Wiki? Xiii! Esse treco é uma uma excentricidade qualquer que apenas umas duas ou 3 pessoas usam… Reclamar de Top-posting então é uma briga perdida.

Mas sou brasileiro e não desisto nunca. :-P E se defender o uso de ferramentas que salvam o meu tempo (e o dos outros, mesmo quando eles não notam isso) significa ser um burocrata, então, meus caros, eu sou um maldido burocrata mesmo. Se for necessário adotar técnicas de guerrilha ou estratégias mais sutis para isso, então que seja! Continuarei brigando contra a maré.

Moving Units – Emancipation

Burocracia Alheia Adiantada

Tuesday, March 7th, 2006

Tenho como que por prática deixar tudo para a última hora. Resolvi sair da rotina e adiantar um documento do doutorado logo de uma vez: prova de conhecimento de uma 2a. língua estrangeira (qualquer coisa aque atestasse que eu cursei mais de 120 horas-aulas de outra língua).

Até aí tudo bem. Pelos requisitos deles, eu conseguiria até para 3a. língua. Saio para a FALE, vou na secretaria dos cursos de línguas e peço por uma declaração.

– O senhor terá que pagar uma taxa de 5 reais.

– Perfeito. T’aqui.

– Não, não, o Sr. tem que tirar o boleto e o formulário pela Internet ou ir na baixa da égua.

– Qual o endereço mesmo?…

Até aí tudo bem. Mas eis que a luta mal tinha começado. Vou ao site indicado, busco por algum lugar onde poderia ter os maltitos formulários e, quando os encontro, recebo o link para onde se encontra o boleto. Mas não tão rápido, para conseguir esse boleto eu tenho que me cadastrar no serviço de cursos da faculdade, criar um login, me inscrever no curso “Taxa para declaração…” e… e nada! O site travava!

Agora me diz, precisava de tudo isso?

Update: hoje fui lá na baixa da égua pegar um simples boleto. Para tanto, como reza a burocracia, tive que enfrentar uma fila :-(

Pedala, Macambira

Wednesday, July 20th, 2005

Murphy simplesmente adora o Prof. Macambira. Ou seria o professor que não cansa de desafiar Murphy?

***

Isso, dorme no ponto…

***

Não, até aquele domingo eu nunca tinha bebido uma Pepsis tão gostosa. Ah, é, eu sou dislexo. ;-)

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“Clã das Adagas Voadoras” é o filme! Vê-lo logo depois de assistir a “Kill Bill 2″ então é de deixar qualquer um eufórico.

***

E os links python do dia são:

Viva La Chipperfish
Blog sobre Webdevelopment, frameworks, Python e outra coisas do gênero

Django Project

Seria esse o real competidor do Ruby vindo do mundo Python?
Bloc Party – Banquet

A procura dos (próprios) erros

Monday, June 13th, 2005

As coisas geralmente ficam mais simples quando você lê os próprios avisos:

g++  -Wall -ggdb -g3 -D_GLIBCXX_CONCEPT_CHECKS -DP4P_SIGNATURE_SHORT_CIRCUIT=8388608l  -c -o writers_pool.o writers_pool.cpp
In file included from writers_pool.h:21,
                 from writers_pool.cpp:14:
p4p_short_circuit.h:27:3: warning: #warning P4P_SIGNATURE_SHORT_CIRCUIT enabled: logging and opportunistic caching of files will be compromised

Brazilian Girls – Don’t Stop

Retratos de uma família acadêmica – número 1

Friday, April 8th, 2005

Existem perguntas que você simplesmente não precisa escutar, ainda mais vindas da sua mãe:

– … esse artigo [para a SBRC] não foi aceito.
– Nâo foi aceito! – com um tom que você não pode decidir se é de surpresa, desgosto e discrença no que escuta.
– Não.
– Quer dizer que nesses dois anos que você passou ai você não publicou nada?!

Eagle-eye Cherry – Save Tonight

Escandalos nas comunidades On-lines

Friday, April 1st, 2005

Ontem a notícia da hora era que Matt Mullenweg, o homem atrás do WordPress, o sistema de blogging usado por todo mundo da
C9 e bastante popular mundo afora, estaria participando de um esquema link-spam. Não vou entrar no mérito de julgar o que ele fez. Já existem opiniões demais sobre isso na Web, para que mais uma?

O único ponto que eu gostaria de fazer é sobre como, de repente, as pessoas podem criar grande comunidades na internet e como isso traz, mesmo que a contra gosto, responsabilidade. Como bem poderia dizer meu amigo Rommel, “onde tem o humano, existe o politico”.

Hoje, pelo menos para mim, a bomba do dia é que o sítio dos Little-Gamers foi fechado pela MPAA. Sinceramente não sei o que pensar…

Quando a vida fode com você…

Wednesday, March 16th, 2005

… não é gostoso, sinto lhes informar.

Björk – So quiet

Nature versus Nurture

Monday, February 21st, 2005

I knew Zope has some deep black magic inside it but this is just mind blowing. [Link origin]

In the same spirit of how the environment or how changes to it modify the individual’s perception of it, here comes a link to a nice flame war on Ian Bicking’s blog.

Dj Neighbours – Frequency

AuthImage

Wednesday, February 16th, 2005

Desisti. Tava aparecendo spam demais no meu blog. Nem aquela proteção besta q eu criei estava adiantando. Fiz como Sellaro e instalei o AuthImage. Uma versão antiga, diga-se de passagem, por aque a mais nova está dando problemas que eu não estou com saco de depurar.

Claro que nem tudo vem de graça, e agora, para poder fazer comentários no meu blog, será necessário digitar o conteúdo que aparece numa pequena imagem e habilitar cookies. Paciência….

Sonalcoolismo

Wednesday, February 2nd, 2005

Eu fui para Flyer do show do DJ Tiesto.

Deve ter sido bom… :-(

U2 – Stuck in a moment