Archive for the ‘Desculpas-Fu’ Category

Curanderismo e fé na ciência

Thursday, August 26th, 2010

(isso originalmente foi um e-mail enviado à minha família mas, na falta de assunto melhor para por aqui e, dado que tem mais gente sabendo disso que apenas minha família, creio que seja oportuno para um post.)

Recapitulando

Primeiro é bom dizer que já fazem uns 8 ou 9 meses que eu reclamo de dores na perna esquerda (região da bunda/coxa) e no pé.

É bom dizer que fiz 20 sessões de fisioterapia para ambos no início do ano apenas para ficar frustrado com a perda de tempo. Não deve-se ainda esquecer que eu corri um Volta da Pampulha no final do ano passado, que estava treinando para a maratona que corri em maio e que agora em julho corri uma meia maratona no Rio e outra meia agora em agosto. Ou seja: eu não estava exatamente pegando leve nesses meses, mas a dor não aumentou nem me impediu de fazer nada.

Durante esse tempo as dores no pé iam e voltavam, idem a da perna.  Ambas não me incomodam para correr de maneira quase nenhuma mas me incomodam no dia-a-dia: o pé às vezes dói ao andar e a perna quando fico sentado muito tempo, principalmente na cadeira do escritório aqui de casa. O pé às vezes dá aquela “pontada” de agulha. Na perna, por outro lado, a dor não é angustiante, mas sim um incômodo que persiste enquanto eu ficar sentado — que é o que eu faço na maior parte do dia.

O primeiro médico que ao qual fui, logo no início do ano, disse que eu estava com fasceíte plantar. O que é isso? Uma dor numa espécie de ligamento que existe no pé e que percorre toda a extensão dele. Para uma explicação mais correta e detalhada recomendo um artigo sobre o assunto na wikipedia em português e a sua versão na wikipedia em inglês, que possui mais referências.

Terapia por ondas de choque

Fui para um ortopedista com especialidade em pé sexta passada apresentar o resultado da ressonância magnética que fiz sob pedido dele. Esse médico me foi indicado por outro que, por sua vez, me foi muito bem recomendado por várias pessoas do meu grupo de corrida. A fisioterapeuta que me atende também gosta muito do trabalho dele.

Ao olhar a minha ressonância ele disse que eu tinha fasceíte plantar, que é uma doença comum em corredores. Confesso que a essa altura já achava que não, que eu não tinha fasceíte mas sim outra coisa. Enfim, esse diagnóstico também foi feito olhando um raio-x do meu pé, que por sua vez servia para descartar a possibilidade de uma fratura por estresse.  Diagnóstico feito, ele enumerou os tratamentos recomendados e, dentre estes, me indicou fazer terapia por ondas de choque — e é aí onde os problemas começam.

Primeiro porque não é uma “terapia” no sentido que são várias sessões.  Está mais para um “procedimento”. Digo isso porque espera-se que seja apenas uma aplicação. E ela leva anestesia e requer que eu passe umas 24 horas após o procedimento em repouso absoluto,  ”só saindo da cama para ir ao banheiro”. Perfeito, né? Segundo o médico, a chance de sucesso desse procedimento é de 70%. Eu teria ainda que ficar sem correr antes de fazer o tratamento e, após feito, por mais um mês, quando então eu marcaria uma consulta de retorno para ver se “deu certo”.  Caso não dê, segundo disse a atendente do hospital que faz esse tratamento, teria de pagar mais 20% para uma  ”re-aplicação”.

Por outro lado, segundo meu plano de saúde, esse procedimento não está na lista de procedimentos “reconhecidos” ou “cadastrados” pelo mesmo.  Talvez eu possa fazê-lo e ser reembolsado. Talvez não.   O fato é eles ficaram de me dar uma posição sobre isso. Espero que eles possam cobrir os custos porque, a R$ 1000 (mil) a aplicação, não é exatamente algo que eu acho que dê para fazer sem ajuda do plano. Pelo menos não sem ter certeza de que essa é a solução e que esse é realmente o procedimento necessário.

Alongamento

Bom, eu senti confiança (item escasso ultimamente) no médico que me prescreveu esse tratamento mas, dado o custo dele e tudo que ele envolvia, resolvi acatar os conselhos de amigos de pegar uma segunda opinião. Num aniversário sábado passado conheci um amigo de uma amiga minha que é fisioterapeuta e que tinha um amigo médico ortopedista com especialidade em pés.  Conveniente, não? Bom, como ele também não poupou elogios ao amigo, fui lá. Pior do que está não fica, certo?

Nesse meio tempo a dor do pé sumiu mas, como também não estou correndo como corria antes, isso era de certa forma esperado.

Bom, chego lá e existe não um mas dois médicos na sala. O cara olha meu pé, vê que o meu pé não estava doendo, vê a ressonância e diz que sim, que é fasceíte mas que não, que não precisa fazer esse tratamento — e agora é que a coisa fica realmente interessante.

Não preciso fazer esse tratamento porquê ele não presta. Porque em 7 anos em que ele trabalha com ortopedia só viu um caso de precisar de operação. E não, não era tratamento por onda de choque ao que ele se referia. Além disso, como parte do tratamento por terapia por ondas de choque, eu teria de passar um mês sem correr. Ora, mas se você passar um mês sem correr você não vai melhorar de qualquer forma não? Sendo assim, como você pode afirmar que foi o tratamento de R$ 1000 que lhe resolveu o problema ou foi parar de correr? O outro médico, só completava aquilo que o primeiro dizia de vez em quando.

Ele ainda disse que os trabalhos científicos que sugerem o uso desse tratamento possuem uma qualidade 4 ou 5. Pelo que eu saquei, isso quer dizer que eles estão no fundo de uma escala de qualidade e que, no caso particular deles, quer dizer que eles foram feito sem ter um embasamento estatístico correto — não foi usado um grupo aleatório, não houve separação de grupos com quadros similares usando tratamentos distintos, grupo usando placebo etc. A entrada na Wikipedia em inglês para Plantar Fasciitis diz que os estudos (links para esses são providos lá) não são conclusivos sobre a eficácia dessa técnica.

O remédio prescrito? Alongar, 3x por dia a batata da perna. Sim. A perna. A idéia é que o encurtamento da musculatura da perna acaba sobrecarregando o resto da musculatura do pé e isso acaba causando um impacto na fáscia plantar. Ah! E usar uma palmilha para o calcanhar. E retornar em um mês para lhe dizer como as coisas estão. E sim, parar por uma semana. Como eu não estou em treinamento para nenhuma corrida de longa distância, esse é o melhor período para dar uma pausa sem prejuízos ao treino e para dar uma folga tanto para a perna como para o pé.

Assim como o outro havia dito quando lhe indaguei, fazer spining e nadar nesse período, em substituição à corrida, seria o ideal.

Finalmente, ele me deu um concelho: NUNCA, JAMAIS, faça infiltração.  Se quiseram fazer isso, FUJA! Dói horrores na hora, depois parece que fica uma maravilha mas a chance disso acarretar um problema MUITO mais sério (rompimento na fáscia, etc) é enorme.

Terceira opinião

Ainda existe mais um cara a quem eu queria pedir informações e de quem queria recolher opiniões. Ele é um fisioterapeuta amigo de um amigo próximo que, novamente, é muito bem cotado pela qualidade do seu trabalho. Como ele trabalha numa clínica que é especializada nisso (medicina esportiva) imaginei que ele poderia conhecer alguém bom para me recomendar.

Ah! A angústia…

Olha, não sei o que pensar mais.

Por mais que esse último tenha dado mais informações, ligado pontos que eu achava que tinham de ser ligados (a perna e o problema no pé apareceram mais ou menos juntos de qualquer forma), achei muito mágico “só alongar”. Mas faz sentido. De qualquer forma, terei de esperar o plano se pronunciar sobre se eles pagam ou não esse tratamento por ondas de choque. É o tempo de conseguir a terceira opinião.

Chato é a sensação de impotência diante disso. De não saber o que pensar, o que fazer. De ter de ficar pescando pedaços de informação de cada um para pode compor um quadro incompleto. De achar que você está mudando de um “pajé” para outro. De ficar pescando informações na internet e acabar somatizando coisa que você lê, de se auto-sugestionar. Foda é achar que medicina é pseudo-ciência, que o curanderismo e o “assim me parece melhor” são o que me resta. Tenho medo quando começar a desenvolver coisas realmente sérias. Terei de pedir resumés e ver o perfis no Portal da CAPES antes de ir a um médico?

Nesse meio tempo um colega de UFMG muito chapa me mandou o seguinte artigo do NYT que, curiosamente, apóia a linha apontada pelo último médico: Unhappy feet. Um outro artigo só para engroçar o coro: Stretching your body’s fascia can improve exercise results.

Bom, hora do ateu aqui ter fé na ciência. É o que me resta. Só preciso escolher qual profeta escutar.

O portão

Thursday, April 22nd, 2010

O que ocorre é o seguinte. Tenho de escrever uma proposta de tese, alguns artigos e uma tese. Não é nada do outro mundo, não é nenhuma tarefa hercúlea — ou pelo menos não deveria sê-lo.

Infelizmente, toda a habilidade de escrita que eu tinha aparentemente foi deixada de lado em algum momento entre o vestibular e o mestrado. Qualquer habilidade de programação que eu tenha talhado nesse meio tempo não tem serventia quase nenhuma quando o problema em questão é tecer um mero texto relatando sobre o que se trata a minha tese, porque ela vale um título de doutorado e o que eu fiz de concreto nela. Unit tests não valem de nada. Comentários no código “tampoco”. Diagramas de seqüência podem até servir para aumentar a contagem de páginas mas, concretamente, não resolvem o problema de escrita.

Na falta de outra opção, o jeito é escrever. E como escrever tem sido difícil, o jeito é praticar. Praticar com regularidade, mesmo sem vontade, mesmo sem querer. Isso funcionou bem comigo nas corridas (de treinos de 4 km saí para treinos de 30 km e provas de 42 km) então espero que sirva na escrita.

E é por isso que eu voltei. Espero que agora para ficar. Não esperem textos “querido diário”. Mesmo sabendo que eles ocorrerão, esse não é foco. Por hora, também não esperem posts multi-linguais — a escrita na língua de Camões já está sendo complicada o suficiente.

E só. Eu voltei.

Massacre virtual

Friday, June 5th, 2009

Tirar a poeira desse blog com as estatísticas do último massacre que eu cometi. Deixei de seguir 21 feeds RSS e de 2 twitters — um deles o do @buscadesconto, que mesmo útil, não tem a utilidade que eu esperava). Os feeds que eu deixei de seguir foram:

É uma miscelânia de blogs de amigos que foram desativados, blogs de programas que eu não uso mais e de coisas que, apesar de interessante, simplesmente tomam tempo demais :-) Os canais de video do google, por exemplo: tem muita coisa bacana, mas não tenho 1h para gastar vendo-os e cansei de me enganar que marcar para “ver depois” vai resolver já quem na prática, nunca vejo.

E é isso. Namastê, much love, peace out.

Ancient deities

Saturday, February 14th, 2009

Mesmo não sendo o cara mais católico do mundo, gostei dessa citação:

Tim Bray: “Why should I hold ancient Near Eastern tribal deities to my notion of civilized moral standards?”

Src: QOTD — Ian Murdok’s Weblob.

Erase and rewind

Thursday, March 1st, 2007

Fazia tempo que eu não postava aqui e, já que eu estava devendo isso há algum tempo, resolvi que chegou a hora. Há muita coisa acontecendo mas pouca coisa para ser dita. De qualquer forma, aos informes.

Doutorado vai “intrigante e divertido”, obrigado. ;-)

O carnaval? Mais calmo que de costume mas bem interessante.

Space invading Garopaba - Um space invader na praia

Na verdade bem interessante. E molhado. Maldito período de chuvas…

Noutra frente o site todo migrou para um novo lugar. A antiga c9 sofreu um processo de re-estruturação e descentralização. Em outras palavras: ela foi para o saco ;-) Assim como o Sellaro, acabei vindo parar aqui na DreamHost. Não, ela não é uma solução de VPS com Xen, como eu gostaria. Não, eu não tenho acesso de root nessa máquina. Mas até que se se prove o contrário, está sim, bastante satisfatório. :-)

Essa migração não foi lá das mais tranquilas, particularmente no que diz respeito aos bancos de dados desse blog. Mesmo depois das medidas paleativas que eu tomei, o problema de corrupção de banco e dados ainda me perseguia. Aparentemente eu subestimei o tamanho da partição virtual em que os DBs ficavam e a capacidade dos spammers de gerarem conteúdo para lotar esses bancos. Por causa disso, o processo de geração automática e backups desses bancos se mostrou errático e inconsistente. O problema se mostrou grave a ponto de o último backup consistente e com conteúdo relevante ser um feito em meados de setembro de 2006. Pelo jeito que esse blog é movimentado, aparentemente não houveram grandes perdas que não pudessem ser manualmente restauradas.

Mas, como dizem os otimistas e masoquistas de plantão, há males que vêm para o bem. As coisas devem ficar mais redondas agora. Espaço em disco não será problema tão cedo, espero. Além disso a migração me forçou atualizar o código da minha script da programação d’A Obra para celulares para PHP5. Seu código ficou mais limpo, eficiente e reutilizável. Falo disso noutro momento.

Por hora é só. Olá e até a próxima.

Mano Chao – Mala Vida – Live @ Radio Buemba Sound System

Academia-Fu

Wednesday, November 17th, 2004

Não adianta. Nem com a academia a menos de 20 metros lá de casa eu crio vergonha. E nem adianta pensar que eu não tenho desculpa: isso é o que menos falta… Aliás seria bom se essa falta de ânimo atingisse apenas a academia.

Err… que se dane!

The White Stripes – I just don’t know what to do with myself

Hit_por_fragmento_fu

Wednesday, March 17th, 2004

Mais um dia-fu. Pois é: uma script que eu achava que ia sair rapidim acabou demorando, demorando, demorando e estou aqui, às 21:30 da noite no DCC, no meu notebook (já falei dele?!) terminando essa maldita coisa para poder ir para casa.

Preciso dizer q eu faltei ao Kung-Fu hoje?

Suede – Atitude

“Desculpaolin” – São elas que me perseguem!

Monday, March 8th, 2004

Dado o seu título, este post bem que poderia seguir com versos da conhecidíssima “Mulheres” do Martinho da Vila. Claro que, dado meu carma, eu rapidamente pularia para a metade do nono verso da primeira estrofe (e desequilibradas…). Não que eu acredite muito nisso de vidas passadas mas quem tem Murphy como pastor não precisa delas para ter carma. Mas indo direto ao ponto, a capacidade que eu tenho para conseguir, mesmo quando a contra-gosto, desculpas para faltar ao Shaolin, é uma coisa impressionante.

Semana passada não fui um dia sequer ao treino. Sabe aqueles dias em que, quando chega a hora e deitar a cabeça no travesseiro, você se pergunta “O que eu fiz de útil hoje?Nada?!”? Não tive um dia sequer desses nessa semana. Não tive também pique de ir treinar nem quando eu tinha tempo de folga já que, tendo várias vezes dormido apenas 3 horas de um dia para o outro, não me restavam forças para fazer uma seqüência de chutes que fosse.

Hoje, estava saindo até mais cedo do que de costume para não ter perigo de perder nada do aquecimento, ficar jogando um pouco de conversa fora e etc. Agora saca só essa: fiquei trancado do lado de dentro do prédio. O controle remoto do portão não fazia-o abrir de maneira alguma. E não é como se desse para chegar lá de ônibus em 15 minutos. Assim, fiquei aqui em casa mesmo.

Assim, como vocês podem ver, não é pura falta de vontade. Até pelo contrário: eu tento, eu juro que eu tento, mas sempre aparece uma desculpa-fu para me impedir. O jeito parace ser tentar ir para o treino pela manhã, quando o conjunto de desculpas e problemas é menor do que o da noite. Assim espero…

Belle and Sebastian – Stop, look and listen

Qual é o apelido dele mesmo?

Tuesday, March 2nd, 2004

Pessoal mais próximo de mim deve saber do que se trata a minha dissertação de mestrado e das pequenas tarefas que ela inclui, entre as quais temos montar uma estrutura de monitoração de tráfego P2P.

Então, hoje seria o dia de colocar uma versão experimental desse treco no ar. E lá passei eu a noite em claro, de ontem para hoje, resolvendo todos os últimos pepinos urgentes que restavam.

Acordo hoje, ou melhor dizendo, me levanto após 3 horas de quase-sono e, no meio do café, me liga meu orientador:

  • - E aí, a caminho?!
  • - Sim. Já estava de saída…
  • - Mas a reunião mudou de lugar. Vai ser noutro canto…
    Não precisa levar a máquina. Você a instala lá amanhã mesmo.

Beleza, faltei o Kung-Fu e tive uma noite mal-dormida em vão. Mas tudo bem – trabalho adiantado é lucro para quem vive atrasado. E, para não perder o costume, chego lá na reunião 30 minutos depois do horário previso:

  • - Esse ai é o Tiago.
  • (E o cara lá) Beleza? Qual é mesmo o apelido dele que você disse?!
  • - Que apelido? Macambira?! É sobrenome…
  • (E o cara… sem graça)

É… Cada uma Pai!

A3 Featuring Errol Thompson – Peace in the Valley