Vou te contar… às vezes eu imagino que a trilha sonora da minha vida não poderia passar sem “The Offspring – Pretty Fly (for a white guy)”. Ontem foi um exemplo clássico de um momento em que essa música soaria alto, numa sucessão de flashes de cenas de comédia pastelão. E tudo isso por que eu não queria, não podia, não me permitiria passar uma única sexta-feira em casa.
Eu já devia ter previsto. Quem é D’Artangnon sem Athos, Porthos e Aramis? O que é o Acquaman sem os outros Superamigos? Quem sou eu para achar que eu me daria bem saindo só para a inauguração de uma boate e nova, onde só rolaria música eletrônica? Quem?
Confesso que as minhas expectativas não estavam muito altas. Não tinham como estar. Tudo que eu queria era, mais uma vez, escutar um bom “tunts-tunts”, só, na minha, como tantas vezes eu fiz em Fortaleza. Inevitavelmente eu encontraria o clássico tipo de público que sempre freqüenta esses cantos, na clássica distribuição 4 cuecas para 1 calcinha, e quanto a isso eu não esperava surpresas. O que eu não esperava, no entanto, era encontrá-los em um número tão reduzido.
Eu devia ter previsto, eu devia ter pressentido que as coisas iam ser ironicamente decepcionantes. Eu não devia ter sequer tirado o pé para fora do carro. Devia ter seguido para os locais de sempre. Mas nããããããão,
eu tinha que inventar de ir para mais uma furada! Recapitulando: à 1 da manhã praticamente não havia carros estacionados em frente à casa, ao entrar eu dei de cara com a porta de vidro, ao tentar ir no banheiro masculino fui impedido porque uma menina estava trancada lá dentro (?!), e de todas as 25 pessoas que estavam no estabelecimento, contando com a equipe de apoio, de bar, seguranças e tudo mais, eu era o único sujeito que não sabia os nomes de todos os outros 24 presentes. Será que tinha algo de errado? O ápice da noite foi quando eu, fatidica e completamente sóbrio e desanimado às 2:30 da noite, ainda cogito tentar a sorte em outro canto! Não apenas cogito como me dirijo para lá. Convenhamos, no auge da repescagem eu ainda ia ter cara de preparar a vara, colocar a isca e esperar que alguma coitada ainda mordesse a minha linha? Coitada e embreagada, diga-se de passagem, porque, na repescagem, as sóbrias ou foram embora copos atrás, já devidamente acompanhadas, ou não vão se submeter ao vexame de ser fisgada na repescagem.
É… um dia eu aprendo. Espero.